Pantanal & Bonito – Visitando o Mato Grosso do Sul – Parte II

Bonito

continuação do post Pantanal e Bonito Parte I
Em Bonito temos várias opções de passeios em rios, cachoeiras entre outras paisagens. Recomendamos que assim que você chegar na cidade procure uma agência de turismo para agendar cada um deles, pois a maioria tem  limite em número de visitações. Inclusive a reserva prévia é obrigatória em alguns passeios.  O Abismo de Anhumas, por exemplo, deve-se agendar previamente um treinamento para verificar se você pode mesmo realizar o passeio.
E, foi exatamente o que fizemos, a noite depois da janta, nos dirigimos à agência Big Tour, e agendamos alguns passeios conforme a disponibilidade, por que a procura estava alta.  Vá em qualquer uma, pois o preço é tabelado, infelizmente, e sobra pouca margem de negociação. Claro, que não custa tentar, perguntar não ofende 🙂
No dia seguinte, realizamos o nosso primeiro passeio, fomos as Cachoeiras do Rio do Peixe. O passeio incluía uma caminhada por uma trilha com um guia, passando por várias cachoeiras, onde você pode tomar banho. A água é gelada, mas vale a pena. Além disso, o passeio também incluía o almoço, muito bem servido, com uma variedade imensa de comidas típicas da região e vários doces de sobremesa. O passeio dura o dia todo. Abaixo, seguem as fotos:

 

 

 

 

 

 

Arara vermelha.

 

Arara Canindé.

 

 

 

Águas geladas, mas valia a pena tomar um banho.

 

No dia seguinte fomos ao Buraco das Araras, no município de Jardim, uma propriedade privada onde fica um buraco imenso no chão ou uma dolina, o nome correto, onde as araras escolheram como ninho. É um passeio bom de fazer pela manhã, pois aumenta a chance de ver as araras em atividade (voando, “gralhando”), segundo os guias do local.Essa formação foi restaurada pelo sr. Modesto, que viu o potencial turístico e limpou o local com a ajuda do exército, fazendo com que as araras retornassem ao seu antigo lar. Foram removidos carros, geladeiras e tudo que se possa imaginar. É triste saber que, além de depósito de lixo, o local servia para desova de corpos e também para prática de tiro ao alvo nas araras, o que afugentou-as dali.

 

 

Lá embaixo tem um jacaré que sobrevive dos animais que caem no buraco.

 

 

 

As araras costumam andar em casais que se mantém por toda a vida.

 

É melhor ir cedo para aproveitar a tarde em outro passeio. Sugerimos combinar esse passeio com a flutuação do Rio do Prata devido a proximidade das atrações. Sempre olhe o mapa!
Durante a tarde, fizemos a flutuação no Rio do Prata. Nesse passeio você faz uma trilha até a nascente do Olho D’água, o primeiro trecho você vai de caminhonete até o ponto inicial da caminhada de mais ou menos 30 minutos. Chegando na nascente do rio o passeio de flutuação começa. Você flutua somente com o long e snorkel no meio de peixes de várias espécies. Pode ser usado um colete para auxiliar na flutuação, principalmente para quem não sabe nadar.

No entanto, a tarde não estava muito clara (estava um dia nublado com jeito de chuva, mas não choveu), mesmo assim dava para ver o fundo do rio perfeitamente devido à transparência da água. O passeio é bem diferente do que estávamos acostumados. Você desce o rio ao sabor da correnteza até chegar ao Rio do Prata, o que dá 2km, durante quase quatro horas no total (caminhada, mais a flutuação e a volta em um barco de alumínio). Durante o caminho você além de peixes, várias plantas aquáticas, troncos de árvores caídos a décadas. Algumas pessoas dizem que em determinadas épocas se vê sucuris e até onças perto ou dentro do rio. Abaixo seguem as fotos do passeio:

 

 

 

 

 

Dourado.

 

Curimbatá.

 

Piraputanga (peixe amarelo) e o Pacú, o mais escuro.

 

Pacús.

 

Canivete

 

 

 

Rio do Prata, no final do trajeto de flutuação.

No final do passeio você chega ao ponto de chamado de ressurgência, onde brota água do fundo do rio. Algumas pessoas chamam de vulcão. Neste ponto, tinha peixes de várias espécies nadando juntos como se fosse numa procissão. Na verdade eles estavam indo contra uma forte correnteza.

 

No dia seguinte, o tempo amanheceu escuro e chovendo, ficamos pela manhã descansando no hotel esperando por uma melhora no tempo. Almoçamos e arriscamos conhecer o Balneário Municipal, mesmo com chuvas esparsas. Esse é um dos poucos atrativos que você pode comprar o ingresso na hora, talvez na alta temporada seja diferente. Foi feita uma estrutura em parte do Rio Formoso para os banhistas, tendo 3 bares com mesas, redes, quadras de areia. As águas do rio são bem transparentes e pode-se ver um grande número de piraputangas nadando contra o fluxo. Outro atrativo do local são as araras que circulam entre as mesas e árvores livremente e aparecem no local quando tem comida disponível.

 

 

 

 

Arara comendo uma bolacha dada pelos turistas.

 

Piraputanga, o peixe símbolo de bonito.

 

Duas esculturas no centro de Bonito representando o peixe-símbolo da cidade.
Às 18h horas de sábado fizemos o nosso teste para o abismo anhumas. O teste é realizado na cidade mesmo, num prédio contendo 10 metros de altura sendo feita duas descidas e subidas para testar o fôlego do turista. Inicialmente, você é preparado e recebe muitas dicas sobre qual tipo de roupa levar, usar e como proceder na subida. Ao contrário do que todo mundo pensa, o que vale é usar as pernas para subir e não os braços, que são apenas auxiliares no processo. Recomenda-se usar calça comprida e meias grossas para evitar hematomas e queimaduras. Tomamos coragem e agendamos nossa aventura para domingo às 8h da manhã para começar bem o dia 🙂 Importante: leve um lanche para ter forças e encarar a subida, porque a descida todo santo ajuda!

No dia seguinte, domingo, bateu o remorso, um misto de “o que fui fazer da minha vida” com “agora já era”. Não se preocupe, lá tem ao menos banheiro químico para vc descarregar as preocupações e outras cositas más. Tirando a nuvem de mosquito que não parava de picar e aranhas do tipo tarântula que passeavam tranquilas, nós ficamos esperando nossa vez de sermos preparados e descer o abismo.Demorou um pouco, mas finalmente fomos buraco a baixo. A imensidão do lugar e sensação de entrar na bat caverna é indescritível. Caso tenha medo de altura, foque na paisagem lateral, nos pequenos detalhes da rochas e desça relativamente rápido para não trancar a circulação sanguínea das pernas. A dupla tem que descer ao mesmo tempo e na mesma velocidade, pois estão ligados a uma corda para evitar giros.

Chegando no deck de flutuação, você se sente pequeno e ao mesmo tempo preocupado com a subida que te espera na volta à civilização. O passeio começa com a troca de roupa por um long para fazer a flutuação nas águas geladas da caverna. O sol entra somente no mês de dezembro na gruta porém, ela fica iluminada mesmo sem o sol. A visibilidade da água é excelente, dando para ver uns 20 metros de profundidade (alguns locais atinge mais de 40 metros) sem auxílio de lanternas.                                  

Vimos, durante a flutuação, cones gigantes de areia, os quais são verdadeiras esculturas feitas durante milhares de anos pela natureza. Contudo, não é permitido tocá-los. Após a flutuação, trocamos de roupa e passeamos de bote pela caverna. Nesse passeio, exploramos a parte interna da caverna onde vimos estalactites, estalagmites e a ossada de um veado, que caíra no abismo.

É incrível que a dimensão da caverna seja, na parte interna, maior que um campo de futebol e ainda mais interessante saber que foi durante um incêndio que, por acaso, essa maravilha foi descoberta. Depois de passearmos pela caverna de bote, só resta a subida cruel de 72 metros, equivalente a um prédio de 26 andares e, haja pernas pra isso. Foram quarenta longos e sofridos minutos de subida, mas no final deu um cansaço bom com a sensação de dever cumprido!!!

 

 

Dica: em Dezembro o sol bate direito no fundo do abismo, sendo possível vislumbrar um faixo de luz.

 

 

 

Depois de ter saído do abismo, fomos para o hotel descansar e baixar a adrenalina.

Na segunda-feira, tínhamos agendado o passeio da gruta do Lago Azul pela parte da manhã (que dizem ser o melhor período). Atenção, esse passeio só pode ser feito com calçados fechados e nunca de havaianas! O passeio contém uma descida um pouco escorregadia e muito mosquito no trajeto até a gruta. Não deixe de fazer essa visitação, porque realmente é linda a gruta e a cor da água é de um azul indescritível devido a presença de cálcio e magnésio.O guia que nos conduziu na visitação ajudou a fazer dessa gruta um local aberto a turistas e nos contou como a iniciativa pública associada a má gestão foi capaz de construir uma ponte metálica numa gruta que verte água. Ou seja, gastaram milhões de reais para construir para em seguida interditar o mirante metálico que impossibilita os visitantes a dar a volta completa na gruta. Poderiam ter construído o mirando com madeira de aroeira, uma árvore nativa, que resiste à água por 400 anos ou algum outro material próprio para locais úmidos. Mas não, é mais fácil deixar tudo interditado mesmo e continuar faturando 2 milhões ao ano. Quem vem de tão longe não vai deixar de ver a atração mesmo que parcialmente, deve ser essa a lógica deles.

Também existem outras grutas na região, mas estão proibidas pelo governo de serem abertas para visitação com o intuito de preservar o ambiente. Eu discordo desse pensamento, pois eu acredito que se você visitar uma gruta como essa, desperta ainda mais o desejo de mantê-la limpa, intocável para garantir a contemplação de outros visitantes, que no futuro podem ser seus filhos.

 

 

 

 

Nesses águas existem crustáceos minúsculos vivendo nesse ecossistema.

 

O lindo azul do lago contrastando com o famigerado e embargado mirante de metal.

 

 

Depois do passeio voltamos para a cidade e passamos a tarde passeando pela rua principal de Bonito, que aliás, é a única rua onde tem tudo: restaurantes, pizzarias, lojinhas, etc. Não tem como se perder lá. A cidade é relativamente cara, mas dá para encontrar restaurantes como comidas boas com preço razoável. Tentamos encontrar um prato com jacaré, mas a iguaria estava difícil de encontrar. Acabamos comendo um dourado com molho riesling. Depois fomos a uma sorveteria provar os picolés Sabor do Cerrado, com vários sabores de frutas da região.

Assim terminou mais umas férias bem merecidas e divertidas. Já temos o próximo destino. Aguardem 😉

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